8.1.12

Ai, se eu te pego…

MichelTelo - Apocalipse Em Tempo RealMeu gosto musical é uma larga rodovia onde transitam de Mozart a Zeca Pagodinho, com algumas ultrapassagens do brega mais autêntico. Mas sempre causa engavetamento nos meus ouvidos a axé music, o funk escatológico e esse manifestação pandêmica internacional chamada sertanejo universitário.

Não é preconceito. Deve ser apenas uma singela alergia sonora a ritmos que remetem a primitivas danças de acasalamento e coreografias minimalistas de fornicacão.

A essa dificuldade em dançar na boquinha da garrafa e ouvir letras com duplo sentido vulgar, agora se soma o enjoo que me causam rimas paupérrimas que tratam o amor como um sentimento disléxico reservado a pessoas com analfabetismo funcional.

É necessário alto ímpeto de humildade intelectual para aceitar que há gosto para tudo. Porque, de fato, cada um tem o direito de entupir ou aniquilar seu cérebro com a substância venenosa que lhe aprouver.

Em um esforço antropológico, algum tempo andei conversando com jovens supostamente sóbrios e que mesmo assim consomem essas drogas musicais. Não estou aqui para julgar ninguém. Não sou fumante, mas sou solidário a qualquer vítima de dependência química.

O que percebi nessa investigação patológica é que muitos desses consumidores de crack, funk carioca, Luan Santana e Michel Teló não procuram clínicas de desintoxicação por absoluta ausência delas. E o governo não faz nada.

A única opção seria ouvir música de velho. Não surge um compositor que preste há pelo menos 50 anos. A MPB (e o rock, bebê) morreu, tosse ou anda em cadeira de rodas. Rigorosamente, essa pobreza toda é o que temos para hoje.

Deixa a turma se pegar, então. Assim eles se matam, é um risco. Mas se até a Europa está em crise, não há muito o que fazer. Lá, o Teló toca mais que Adele e Coldplay. Ai, ai.

1 comentários:

Alidiani disse...

Concordo em número, gênero e grau. Inclusive, moro numa região onde isso é tudo que se ouve. Li um artigo sobre o ponto de vista de um compositor desse "estilo" Jerry Espíndola, vou transcrever algumas passagens:
"Estou fazendo composições nessa linha. A diferença que vejo é que, na verdade, é bem mais fácil de fazer a música porque você pensa na melodia mais simples possível e em um refrão que grude. O difícil é fazer a letra, porque tem de ser muito simples. O jeito é usar a experiência de vida e tentar desenvolver um tema ligado ao cotidiano de todos. Além disso, tem de ter algo na letra que fuja da redundância geral para que ela se torne ‘original’. Eu estou tentando fazer isso acrescentado do meu estilo musical e usando muito o bom-humor nas letras.

Acredito que a questão do sucesso vem da música mesmo. Não adianta ter super produção e grana pra invesatir se você não tiver o chamado ‘hit’. Esse tipo de música é puro entretenimento, não tem nada a ver com arte. É válida porque precisamos relaxar também e as músicas são divertidas. O estilo ‘sertanejo universitário’ é a evolução da música brega, agora com uma estética pop."

Se o próprio compositor vê esse tipo de "música" como algo banal e que não tem nada a ver com arte, olha só o tamanho do lixo que estamos (digo estamos, pq não tem como fugir, onde vai se ouve isso) consumindo?

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